Comentário:
"Goya en Burdeos", escrita e dirigida por Carlos Saura, explora a experiência vital e a trajetória artística daquele que é considerado o primeiro pintor da era moderna. Seus últimos meses de vida servem de fio condutor para um relato que penetra na sua dimensão humana, na sua obra e em suas obsessões pessoais.
Este filme é o 30° da filmografia de Carlos Saura e para a sua realização, contou com a cinematografia de um mago da luz, Vittorio Storato, a direção artística do "premiado" Pierre-Louis Thévenet, e do estilista Pedro Moreno.
Para encarnar Goya maduro, contou com Paco Rabal, um dos atores mais sólidos do cinema espanhol, o qual fez o seguinte comentário sobre o personagem: " Creio que o magnífico roteiro de Carlos Saura dá uma visão real de Goya, um homem do povo, tenaz, e que teve uns princípios muito rígidos.
Todavia não teve uma juventude fácil. Ficou surdo, fato que o afastou do mundo, mas aguçou sua sensibilidade. Gosto muito do roteiro, da sua estrutura, pois volta no tempo e depois recupera a vida terminando de forma poética. Há uma frase preciosa que define perfeitamente o artista: "se fosse mais culto, este homem seria menos grande".
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Jose Coronado interpreta Goya jovem, quando desde a sua terra natal, Zaragoza, chega a Madrid durante o reinado de Carlos III. Sua escassa formação cultural não o impede de compreender as novas correntes liberais importadas da França, e logo simpatiza com um seleto grupo de intelectuais que o põe em contato com o ilustracionismo. Esta afinidade lhe traria problemas até o dia de sua morte, ocorrida no exílio.
A Duquesa de Alba (Maribel Verdú), é um dos personagens mais polêmicos e magnéticos da vida de Goya. Em 1794, Goya e a Duquesa iniciaram uma amizade intensa e atribulada devido ao forte caráter de ambos, e acima de tudo, à marcante personalidade de Cayetana. Em 1796, com a morte do marido, Goya muda-se para a mansão da aristocrata em Sanlúcar de Barrameda, onde viveram juntos por onze meses. Durante esse tempo Goya realizou um famoso álbum de desenhos de mulheres onde ficou refletida, em todos os pormenores, a vida doméstica de sua amante.
Eulália Ramón interpreta Leocadia Zorrilla de Weis, a última amante de Goya, 40 anos mais jovem que ele e que cuidará do pintor até o final. Após a morte de Josefina Bayeu, sua primeira mulher, Goya teve um reencontro com Leocadia, fato que os uniu definitivamente.
Outro fato a destacar é a presença da morte na seqüência inicial e final do filme. Estas cenas revelam uma visão notadamente bergmaniana. É também fabulosa a sobreposição de planos elaborados por Saura e a marcante participação do grupo catalão "La Fura dels Baus" representando o domínio das tropas de Napoleão sobre os espanhóis na " Guerra Peninsular" ou " Guerra de la Independencia" (1808 - 1813).
Carlos Saura
Nasce em Huesca, Espanha, em 4 de janeiro de 1932. Sua inclinação para o cinema vem desde criança. Sua mãe, que era pianista, lhe incutiu o gosto pela música, enquanto que seu irmão maior, Antonio, dedicou-se à pintura. Desta forma, encontramos em suas obras referências a Hieronymus Bosch e Goya.
Desde adolescente começou a praticar a fotografia e a partir de 1950, realizou suas primeiras reportagens com uma câmera de 16 mm. Mudou-se para Madrid com a intenção de seguir a carreira de Engenheiro Industrial mas sua vocação pela fotografia, o cinema e o jornalismo o levaram, mais tarde, a abandonar os estudos e matricular-se no Instituto de Investigações e Estudos Cinematográficos.
Site Oficial: www.clubcultura.com/clubcine/clubcineastas/saura/home.htm
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