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Nº 3
 
Gener de 2004
Designer catalão André Ricard lança livro.
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Quem não conhece André Ricard (Barcelona, 1929), possivelmente conhecerá, sem o saber, muitos de seus designs.Desde o famoso _e prático_ cinzeiro "Copenhaguen" até a inovadora tocha olímpica das Olimpíadas de Barcelona'92.
O livro se chama "En resum..." (Resumindo...) - Angle Editorial - e trata de suas memórias. A revista valenciana "El Temps", por ocasião deste lançamento, fez uma entrevista com André Ricard, e da qual tiramos alguns fragmentos:
_ De onde lhe vem a sua vocação pelo design?
_ De onde nascem os rios? Eles não nascem de repente, mas começam com um pequeno córrego numa determinada montanha, e vai se juntando a um outro que lhe faz afluente, e depois a mais um outro, e assim até que vira um rio.
_ Se tivesse que explicar a alguém o que é um designer, o que diria?
_ Digo que é o arquiteto do objeto. Se a pessoa compreende desta forma, tudo bem. Mas se é necessário, complemento dizendo que o designer é uma pessoa que deve tentar melhorar as coisas que utilizamos no dia a dia para que elas nos ajudem cada vez mais a tornar melhor a nossa qualidade de vida. Isto todo mundo entende.
_ Em alguma ocasião o Sr. falou sobre o compromisso social do design?
_ O designer tem que ter uma paternidade responsável: é uma pessoa que faz coisas para os outros. Por exemplo: eu penso num setor público que eventualmente tenha umas determinadas necessidades, e por tanto, decido por ele sem prévia consulta, pois não precisa ser feito um referendum para saber se aquilo que estou imaginando lhe convém ou não. Logo, tenho uma responsabilidade social diante deste coletivo e não devo incomodá-lo.
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Quando vamos a uma loja, fazemos uma triagem entre dois ou três itens que estão disponíveis, e obviamente verificamos se eles foram pensados de uma maneira coerente às nossas necessidades. Este é um dos grandes problemas que enfrenta o design: de não estar presente nos grandes magazines. Normalmente ali não se encontram produtos bem desenhados.
_ Que encontramos, então?
_ Eu digo que quando você quer saber de que maneira o design penetrou na malha social e industrial de um país, vá a um supermercado. Ali você verá como está resolvido o essencial. Repito inúmeras vezes e todos me entenderão perfeitamente: o pacote de açúcar não está bem desenhado. Você abre o pacote e o conteúdo cai por todos os lados, gruda no chão e mela tudo em volta. E quem fala do açúcar também fala do arroz.
_ O design tem ideologia?
_ Tem filosofia, talvez: melhorar a qualidade de vida das pessoas através de uma melhora das coisas que auxiliam a vida delas. Sem as coisas, não somos nada. O homem não está dotado para sobreviver. Se lhe colocarem em uma ilha deserta, a primeira coisa que você faz é desenhar para sobreviver. Portanto, é através do desenho que temos que melhorar a nossa qualidade de vida. E é nisto que talvez esteja a filosofia. Ou a ideologia, como queira.
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O designer do papel para cigarros Smoking, sai do anonimato.
A exposição "Somnis de paper, Carles Vives 1900-1974" ("Sonhos de papel, Carles Vives 1900-1914) que pode ser vista no Museu de les Arts Decoratives de Barcelona até 14 de março, pretende divulgar o designer barcelonês Carles Vives Torrela (1900-1974), um artista desconhecido do grande público, mas destacado pela sua obra polifacial e hetereogênea, assim como pela sua curiosa personalidade.
Vives criou os desenhos das marcas de cigarro Ideales, Bisonte e Americanos, no período que antecedeu a guerra; o mítico papel para cigarros Smoking (1933) e a primeira cédula de peseta do pós- guerra desenhada em Barcelona, no ano de 1940.
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A exposição apresenta este precursor do design, que foi ao mesmo tempo, fotógrafo, ilustrador, desenhista, maquetista, designer gráfico e desenhista industrial. A sua aptidão com o papel é revelada na complexidade dos desenhos e no conhecimento e controle absoluto dos elementos mais básicos: dobra, recorte e volume, ao ponto de poder defini-lo como "o engenheiro do papel".
Vale lembrar que a esta exposição se deve graças aos diversos colecionadores, conservadores e admiradores do mundo do papel, através do quais foi possível encontrar uma grande parte deste material gráfico relacionado com a obra de Vives.
fonte : Diari Avui - janeiro de 2004
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