Nº 24                                                               Setembro de 2005

Do dia 26 ao 30 de Setembro terá lugar na PUC - Campinas, a semana do Cinema Espanhol.


No dia 26 o Catalonia – Centro de Cultura Catalã de São Paulo – apresentará uma palestra sobre a “História do Cinema na Catalunha” proferida pelo Diretor Cultural, Miquel Serra Rosanas. Antecedendo a esta palestra será projetado um filme sobre a vida de Frutuós Gelabert. No dia 27 encerraremos a nossa participação com o filme “La ciudad de los Prodígios”, do diretor Mario Camus, e ao final haverá uma mesa redonda para debates. Os convites serão enviados oportunamente.

Para avaliarmos melhor a importância do referido tema, seguem as notícias a baixo:

9 de agosto de 2005 (EFE)


Barcelona se consolida como cenário de cinema com 274 filmagens


A cidade de Barcelona se consolidou neste ano como cenário cinematográfico. Suas ruas e sua arquitetura têm servido de marco para 274 filmagens, telefilmes ou curtametragens nos primeiros oito meses de 2005.

Como nos últimos anos, o cinema acrescentou sua nota de cor e glamour à cidade, com rostos como Ben Whishaw, que encarnará o psicopata Jean-Baptiste Grenouille em "El perfume"; Alan Rickman ("Enduring Love", "77 Beds"), Peter Mullan, Daniel Brühl ("Goodbye Lenin"), os argentinos Leonardo Sbaraglia e Ulises Dumont, e os espanhóis Luis Tosar, Aitana Sánchez-Gijón, José Coronado, Leonor Watling, Juan Diego, Angela Molina, Najwa Nimri e Eusebio Poncela.

Pelo volume e a magnitude do projeto, o principal filme a ser rodado neste ano em Barcelona será "El perfume", cuja equipe iniciou este mês a gravação de uma boa parte do filme nesta cidade e continuará, até outubro, em Girona a contornos.

Na capital catalã, o cineasta alemão Tom Tykwer ("Corre, Lola, corre", "Heaven") dirigirá o ator inglês Ben Whishaw e o norte-americano Alan Rickman, junto com um exercito de extras formado por umas 5.000 pessoas que participarão nas cenas mais massivas no recinto de “el Pueblo Español” e serão coreografadas pela companhia teatral “La Fura dels Baus”.

O bairro gótico da cidade é outro dos cenários escolhidos pela equipe do "El perfume", superprodução alemã na qual participam a norte-americana Dreamworks, que levou para Barcelona o estilo de filmagem "made in Hollywood".

Nas próximas semanas também filmarão na cidade condal Bigas Luna com seu último projeto, "Yo soy la Jani", e Joaquim Oristrell, que, após os "Inconscientes", iniciará a rodagem de um novo filme, "Nadie es perfecto".

Maio, com 49 filmagens, e março, com 45, foram os meses deste ano com maior presença de focos, atrezzo, câmaras e travelling nas ruas de Barcelona. A isso devem-se somar ainda, respectivamente, outras 21 e 15 filmagens, realizadas por estudantes das escolas de cinema.

Conforme foi informado à Efe pela empresa municipal “Barcelona Plató Film Commision”, estes dados se situam num patamar similar aos dados do passado ano, quando tinham sido concedidas licenças para 302 filmagens, mas isso até 30 de setembro.

Por procedência, a maior parte das filmagens de 2005 corresponde até o momento a produções catalãs (196), (12) de outras regiões da Espanha, (48) européias e 18 do resto do mundo.

O crescimento do número de filmagens em Barcelona tem sido "praticamente exponencial" nos últimos cinco anos, ao passar de 119 produções em 2000 para 265 em 2002, e 402 no ano passado, conforme comentado por um porta-voz da “Barcelona Plató”.

Dos 402 expedientes gerenciados pela “Barcelona Plató” em 2004, 25 eram longametragens para o cinema e dez telefilmes, enquanto que nos oito primeiros meses deste ano já foram filmados dezesseis filmes e onze para a televisão.

Barcelona se converteu também no pólo de produção de curtametragens, até o presente mês foram filmados, na cidade perto de 16 curtos cinematográficos e 68 gravados em vídeo.

Como serviço municipal gratuito, “Barcelona Plató” é responsável, por desejo das produtoras, da tramitação das solicitações de autorização de filmagem não publicitária para qualquer localização da cidade.

A isenção do valor das taxas de ocupação da Via Pública, dos espaços do “Instituto Municipal de Parques e Jardins", assim como a negociação dos preços da maioria das localizações de propriedade municipal, é um dos serviços que este escritório gerencia.

No ano passado a intervenção da “Barcelona Plató” nas filmagens que passaram pelo serviço proporcionou, segundo estimativas, uma poupança para as produtoras da ordem de 818.000 euros mediante a isenção de taxas.


El Tránsfuga

Como Mariposas en la luz


Vorvik

El 7º Dia

Política Cinematográfica


Parece que os diretores catalães atuais procuram fugir de uma identidade nacionalista que os caracterizava em épocas passadas. O cinema catalão de referência é visto por eles como um academismo.

Os filmes atuais estão voltados para o interesse das críticas internacionais, não estão vinculados a nenhum excesso de auto-estima, muito embora continuem, salvo raras exceções, a terem, como cenário, a cidade de Barcelona.

No Festival de Veneza deste ano, ao se anunciar as duas únicas películas espanholas selecionadas, apareceram o thriller de Jaume Balagueró "Frágiles" e o melodrama de Isabel Coixet "La vida secreta de las palabras". Ambas haviam sido realizadas por cineastas catalães, mas foram inscritas em um modelo de cinema "desterritorializado", rodado originalmente em inglês.

Alguns críticos e realizadores internacionais reconheceram que a imagem que tinham do cinema espanhol era de um cinema fechado em suas fronteiras, incapaz de ajustar-se ao seu tempo, exatamente por se encontrar arraigado a um infundado excesso de auto-estima.

Dentre os últimos lançamentos os títulos mais admirados (deixando de lado os fenômenos Almodóvar e Amenábar) são "As horas do dia" de Jaime Rosales, "Krampack" de Cesc Gay "Sevigné" de Mata Balletó, “Mi vida sin mí" de Isabel Coixet e os últimos trabalhos de Ventura Pons, desde “Carícias" até “Amor Idiota".

Onde poderemos inscrever este cinema em processo de expansão realizado na Catalunha?

Podemos falar da existência de um modelo de cinema catalão no qual a questão da língua foi esquecida em benefício de um processo de expansão além das fronteiras?

Para responder estas perguntas podemos partir de um clássico debate gerado nos anos 70, nas chamadas "Conversas do Cinema na Catalunha".

A primeira opção defendia que o cinema catalão era aquele falado exclusivamente em catalão, enquanto que a segunda considerava todo o cinema produzido na Catalunha. A Generalitat (governo autonômico da Catalunha) optou pela primeira proposta e o cinema catalão se voltou para a identidade cultural, a indústria e o imaginário, a recuperação da história e da literatura catalã.

Este modelo não funcionou porque o cinema patrimonial acabou sucumbindo na elaboração de produtos de orçamentos vultuosos e, em contra partida, não encontraram uma clara aceitação fora do território nacional.

A terceira opção foi a criação de um modelo capaz de criar um imaginário que provocasse a identificação do público. Esta solução enveredou-se para a comédia de costumes, mas acabou triunfando principalmente na televisão, nas novelas de produção própria. Entretanto, usou-se uma artimanha política com relação à língua. Os produtores rodavam os filmes em castelhano e realizavam uma cópia dublada em catalão para beneficiarem-se da política de subvenções da Generalitat. A assídua presença do catalão nos produtos autóctones passou a ser uma questão de política lingüística e esta considerou mais rentável a dublagem ao catalão dos êxitos das multinacionais.

Apesar de os produtores e o governo da Generalitat insistirem na necessidade de criar uma indústria potente, a singularidade do cinema catalão atual reside na criação de alternativas de produção. A absorção do imaginário cinematográfico por parte da televisão, levou alguns cineastas a trabalhar fora da Catalunha, em francês ou inglês (Jose Luis Guerin, Isabel Coixet, Marc Recha) ou a realizar propostas que exploram outros mundos imaginários incertos (Jaime Rosales, Roger Gual e Julio Wallovits). Este cinema marginal tem como objetivo prioritário a busca de circuitos mais amplos. Sua aposta começa a colher curiosos frutos e, por enquanto, tem regenerado a imagem provinciana do cinema catalão.


A Vida de David Gale

Mar Adentro

 Mais...
- "infoCatalonia" - Boletim eletrônico do Catalonia

Com o apoio de :